O mercado de criptomoedas tem se destacado nos últimos anos no mundo todo, e tem sido também alvo de má informação e ‘Fake News’. É o caso da Blockseer, empresa que tem uma conta em um perfil de Instagram, ativo desde dezembro de 2022, apesar de afirmar que está há 5 anos no mercado, e se passar como subsidiária da DMG nos EUA, tem propagado em seu perfil (@blockseer) informações contendo inverdades sobre empresas do mundo cripto, além de vender análises milagrosas para clientes que sofreram golpes de pirâmides financeiras de criptomoedas, sob a cobrança de 1% a 4% dos contratos acima de 100 mil reais.
A Blockseer promete rastreabilidade de criptomoeda como uma chance de investidores terem o seu dinheiro de volta através de um relatório “sigiloso”, a página não possui em sua descrição nada oficial e muito menos um comportamento profissional. Ao que tudo indica, esta empresa vem se utilizando da ignorância das vítimas em relação a “Blockchain” e “criptomoedas” para vender uma análise falsa para rareditar que vão recuperar seu dinheiro perdido em golpes de pirâmides financeiras, e pagando valores altos por isso. Para tanto, utilizam-se de redes sociais e de pessoas que se passam por especialistas no assunto para dar uma aparência de veracidade para corroborar com a possível fraude por eles perpetrada.streio de criptomoedas. Não sendo sequer possível chamar esse documento de perícia, fazendo-as ac
A advogada Marília
Cavagni, acredita se tratar de um perfil fraudulento que tem como intenção
aplicar golpes. “Em primeira análise, a atividade desenvolvida por esta empresa
possui indícios de ilicitude penal, tipificada como Estelionato, ou seja, muito
embora o crime esteja ocorrendo em ambiente virtual o crime cometido é o 171 do
Código Penal, o qual consiste basicamente na prática de golpes, onde o agente
causador do dano engana a vítima para obter algum tipo de vantagem, na maioria
das vezes em dinheiro”, explica.
A “Blockchain” é aberta,
faz parte de um sistema descentralizado. Logo, não existe informação sigilosa
nela. Há uma cópia da blockchain nos computadores de todos os envolvidos,
espalhados por todo o mundo. Portanto, cada membro, esteja no Brasil, nos Estados
Unidos ou no Japão, vê a mesma informação quando acessa o sistema. Nenhuma
alteração pode ser feita sem a aprovação da coletividade, bem como nenhuma
informação é ocultada.
Sobre a perícia desses
documentos, a advogada afirma que “Perícias são realizadas apenas por peritos,
parece ser óbvio, mas quando as pessoas estão desesperadas acabam não buscando
informações dos profissionais capacitados para tal ato, lembrando que nem
sempre é fácil de achar esse tipo de profissional, o que chama mais atenção
ainda da divulgação desse tipo de serviço em redes sociais”, externa.
A reportagem conversou também
com um analista de segurança da informação e o mesmo afirma que nenhuma empresa
que oferece serviço de análise de blockchain atuaria dessa forma. “Dados
sigilosos e confidenciais, uma vez vazados e divulgados indevidamente, mesmo
que os mesmos sejam reais eles perdem a integridade do material como a
autenticidade e a confidencialidade. Isto porque, as informações contidas
nesses dados podem ser alteradas e manipuladas. Do ponto de vista legal, mesmo
superada a ilicitude quanto a venda e divulgação de relatório que supostamente
foram extraídos de autos policiais, ou mesmo quando alegam que foram eles que o
fizeram a fim de instruir o inquérito policial, podem colocar em dúvida a
própria investigação, isso, além de ser evidentemente ilícito, demonstra uma
falta de ética e profissionalismo”, disse.
A reportagem entrou em
contato com a DMG Blockchain Solutions, que gerencia, opera e desenvolve soluções digitais
de ponta a ponta para monetizar o ecossistema blockchain, questionando se a
Blockseer de fato é subsidiária, a mesma afirma que de forma alguma esta
empresa é afiliada a eles. Outra empresa que a Blockseer diz ter parceria é a Chainalysis, uma empresa
americana de análise de blockchain com sede na cidade de Nova York.
Inclusive atua e tem atuado com órgãos e instituições no Brasil quando assim
solicitado.
Porém eles afirmam que não há vínculo algum.
A Advogada alerta ainda a importância de as pessoas ficarem atentas e tomarem cuidados para evitar cair em golpes e ‘Fake News’. “É de suma importância as pessoas pesquisarem bastante, ver a credibilidade de determinada empresa, referências, não contratar serviço ou comprar algo apenas pelo que se vê nas redes sociais. Sempre buscar validar as informações com um especialista do mercado ou a própria instituição”, concluiu Marília.





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